Drone pulverizador: tecnologia auxilia o produtor na aplicação e economia de defensivos!

Aliados da Agricultura de Precisão, os drones estão cada vez mais presentes nas lavouras, e não apenas para geração de vídeos e monitoramento através de imagens aéreas. Drones também podem ser agentes pulverizadores, sendo capazes de operar em áreas de difícil acesso e onde nem mesmo o avião agrícola consegue atuar.

O uso de drones ou Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) se torna cada vez mais comum no agronegócio. Muitas organizações estão vendo nessa tecnologia a oportunidade para solucionar um desafio do homem do campo: tornar a pulverização mais precisa e segura.

No cenário atual da agricultura, iniciar o plantio em grandes áreas sem planejar as aplicações de defensivos agrícolas, é um grande erro e pode tornar a atividade inviável. Popularmente conhecidos como agrotóxicos, os defensivos são produtos que induzem processos físicos, químicos ou biológicos para proteger a plantação das ações danosas de seres vivos considerados nocivos. O problema é que esse uso compreende um custo muito elevado, que de acordo com o IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), pode representar até 22% dos custos variáveis e 18% do custo total no cultivo da soja. Esse é um dos principais motivos que torna o planejamento do uso de defensivos primordial durante a safra. Neste contexto, mais uma vez, a tecnologia é a grande aliada do produtor rural.

Contudo, esta tecnologia tem sido pouco difundida no Brasil, pois acredita-se que o fato das áreas de cultivo no Brasil serem de grandes dimensões, essa técnica não será aplicável. Atualmente, já se conhece o potencial da pulverização com drones em diversas práticas, como aplicação de herbicidas, fungicidas e inseticidas, onde empresas estão dedicando-se para aprimorar cada vez mais essa técnica, para tornar essa prática cada vez mais útil no campo.

De acordo com a literatura e as experiências práticas, a aplicação de defensivos agrícolas com drones pode ser o “extintor de incêndios” do agricultor no campo. Isso porque, os drones podem evitar o agravamento de incidências de plantas daninhas, doenças e insetos nas culturas de interesse agrícola de forma precisa e eficaz, evitando a aplicação em área total. Outro ponto positivo desta técnica, é sendo utilizada complementarmente com o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Manejo Integrado de Doenças (MID). Operações como essas, podem representar até 80 % de economia com agroquímicos e além disso evitar eventuais contaminações ambientais. Estudos ainda devem ser realizados juntamente com os fabricantes, empresas prestadoras de serviços e pesquisadores da área agronômica, buscando ajustar alguns parâmetros técnicos como tamanho de gota, velocidade de aplicação, tipo de bicos, altura de aplicação entre outros, para possibilitar maior segurança no momento da aplicação.

O sistema de pulverização funciona da seguinte forma: primeiramente é feita a avaliação do alvo e o estágio da cultura. Em seguida, define-se qual o bico será utilizado, com a forma do jato e a vazão adequada. Após isto, ocorre o preparo da calda, o qual é realizado da mesma forma que em aplicações tradicionais, respeitando a ordem de adição dos produtos no tanque de acordo com suas formulações e as referidas concentrações. Os drones para pulverização possuem sensores de micro-ondas nas laterais e na frente que medem as variações do terreno. Além disso, os drones possuem algoritmos em seus sistemas que permitem a liberação da quantidade correta de produto, na altura e velocidade ideais, proporcionando o máximo de economia e precisão.

Com o auxílio de drones de mapeamento e softwares, como o NDVI, é possível realizar a aplicação somente nas áreas em que há real necessidade. O operador pode programar a aplicação somente nestas áreas de interesse, de acordo com os dados gerados nos mapas de fertilidade ou sanidade. Isso acarreta em um menor gasto de produtos, maior economia de combustível e evita a entrada de maquinários na lavoura, com isso, a compactação do solo é minimizada.

O drone substitui o pulverizador convencional?

Este é um dos principais questionamentos de produtores e profissionais do setor. A resposta é simples: Depende! Dependendo do tamanho da propriedade, dos insumos já disponíveis, da mão de obra disponível e dos produtos a serem utilizados, o uso exclusivo dos drones pulverizadores pode não ser viável.

Compete ao produtor ou profissional que tem interesse na tecnologia, conversar com especialistas para analisar cada caso de forma específica. Na grande maioria dos casos a utilização da tecnologia é de uso complementar aos implementos e maquinários tradicionais, como os pulverizadores de arrasto, uniportes ou aviões agrícolas, viabilizando aplicações em áreas de relevo acidentado, pontos de difícil acesso, infestações em reboleiras, dentre outras.

Um grande avanço está sendo dado no setor de pulverização de produtos químicos, inseticidas, fungicidas e herbicidas. Atualmente, o órgão regulador ANAC permite o uso de drones de pulverização com até 25 quilogramas (equipamento mais carga). Diante deste cenário, hoje é possível utilizar um drone tipo avião para mapear uma grande lavoura (por exemplo, 1000 hectares por dia), gerar mapas com o posicionamento de focos de plantas daninhas (por exemplo, 50 hectares de infestação), e pulverizar herbicidas com drone multirotor nestes locais em dois ou três dias. A economia de herbicidas será de 95%, em relação à pulverização em área total. Podemos afirmar que existe um mundo de oportunidades de uso para os drones na agricultura brasileira. Certamente, a grande maioria delas ainda nem foi descoberta.

Portanto, a aplicação de defensivos agrícolas com drones é uma realidade que já está ao alcance do produtor rural, para qualquer tamanho de área e em diferentes culturas, sendo que o uso de drones para esta finalidade, tende a crescer paralelamente ao aumento da tecnologia e a competitividade do setor agrícola.