Manejo e tecnologia, aliados na conservação dos solos

Fonte de alimentos, nutrientes, água e diferentes formas de vida, o solo é um dos recursos naturais que mais tem sofrido com a degradação causada por uso inadequado. Problemas como erosão, perda de matéria orgânica e de biodiversidade desafiam produtores e especialistas a desenvolver técnicas sustentáveis de plantio e manejo para preservar os diferentes tipos de solo do país.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) mostra que mais da metade do solo da América Latina sofre algum tipo de degradação. No mundo, o percentual de degradação é de 33%. Os prejuízos mais evidentes são a compactação do solo, que agrava os impactos de chuvas torrenciais, a perda de fertilidade e a menor captação de carbono da atmosfera.

A degradação do solo vem inviabilizando a agricultura, pois afeta consideravelmente o setor e ainda compromete sua produção para as gerações futuras. Indo na contramão da sustentabilidade, é cada vez mais evidente o aumento dos quadros de erosão, infertilidade, assoreamento e degradação dos recursos devido à má utilização do solo. Estudos apontam que em virtude do uso inadequado no Brasil, se perdem cerca de 600 milhões de toneladas de solo agrícola por ano. No entanto, este quadro pode ser reversível se os agricultores utilizarem métodos de manejo e as inovações tecnológicas em prol da sustentabilidade do agronegócio e por consequência aumento da rentabilidade da propriedade. Abaixo descreveremos algumas dessas ferramentas.

Uma medida indispensável para diminuir os impactos é a Rotação de Culturas com utilização de plantas de cobertura na entressafra. A utilização de policultivos durante o inverno, ou entressafra, é uma maneira de diversificar e diminuir a pressão de pragas e doenças, além de descompactar biologicamente o solo e promover a ciclagem de nutrientes. As novas cultivares de soja e híbridos de milho possuem um elevado potencial produtivo, requerendo um ambiente favorável à expressão máxima da sua carga genética.

O Sistema Plantio Direto (SPD), é uma ferramenta que incrementa o sistema de rotação de culturas. O mesmo consiste em um complexo de processos tecnológicos destinados à exploração de sistemas agrícolas produtivos, compreendendo mobilização de solo apenas na linha de semeadura, manutenção permanente da cobertura do solo, diversificação de espécies e minimização ou supressão do intervalo de tempo entre colheita e semeadura. Esse sistema contribui com o aumento da eficiência da adubação, incremento do conteúdo de matéria orgânica do solo, redução do uso de agrotóxicos, diminuição da emissão dos gases de efeito estufa e contribuição para o aumento da resiliência do solo.

Outra tecnologia que vem ganhando cada vez mais espaço no decorrer dos anos pelos vários benefícios que tem proporcionado aos seus usuários, desde a gestão até a tomada de decisões, além de ser grande aliada no manejo de conservação do solo, é a Agricultura de Precisão (AP). Dentre as ferramentas que a tecnologia proporciona está o planejamento estratégico da automatização de algumas práticas, como: projeto de linhas de direcionamento automático em máquinas agrícolas para semeadura, colheita, pulverização, escarificação e subsolagem, tráfego controlado de máquinas agrícolas, aplicação de insumos a taxa variável, dentre outras. Estas tecnologias são alternativas eficientes para utilização em operações agrícolas que visam à conservação do solo e da água, além de serem economicamente viáveis para este fim, por estarem disponíveis em quase todas as máquinas agrícolas modernas.

As Curvas de Nível contribuem com a visualização precisa e detalhada dos terrenos, pois representam linhas imaginárias usadas para agrupar dois pontos com a mesma altitude. Assim, cria-se uma visão tridimensional do relevo estudado, podendo identificá-lo como: acidentado, plano, montanhoso, íngreme entre outros. Assim, podemos dizer que as curvas de nível são as curvas altimétricas (também conhecidas como linhas isoípsas) que estão na superfície ou batimétricas (aquelas abaixo do nível do mar). Elas ajudam a verificar a altitude de um terreno, bem como a representar todo tipo de irregularidade em sua superfície.

Na agricultura, as curvas de nível desempenham um importante papel. Para as técnicas de plantio, o conceito é aplicado para que se compreenda a elevação do terreno. Assim, o agricultor aproveita melhor o terreno e obtém menos problemas naturais como a erosão, pois a técnica aplicada facilita a infiltração da água da chuva e o escoamento. Outras aplicações que se pode utilizar das curvas de nível são: projetos de irrigação, sistematização de área, terraceamento e delimitação de bacias hidrográficas.

Tradicionalmente os projetos de curvas de nível são realizados pelo levantamento topográfico com uso de estação total e/ou RTK, no entanto novas tecnologias, como os VANTs, estão disponíveis no mercado e facilitam a análise, proporcionando mais agilidade e precisão.

A missão da agricultura é produzir alimentos de qualidade, com preservação ambiental, de forma SUSTENTÁVEL. Neste contexto a saúde do solo é fundamental para produzir água, preservar fauna, flora e garantir a vida no planeta. A natureza leva cerca de dois mil anos para acumular 10 centímetros de camada fértil sobre o solo, cenário que uma erosão provocada pelo seu mau uso leva de uma só vez para os cursos d’água, poluindo-os de forma drástica. Significa que se não houver solos de qualidade não haverá agua de qualidade, não haverá ar de qualidade, nem clima de qualidade. Portanto, se não conservarmos os solos, a vida como conhecemos hoje deixará de existir.

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